sexta-feira, 19 de julho de 2013

Agentes de endemias se reúnem para discutir rumos da greve


Gestores do Estado e do Município participaram do encontro. Agentes querem que seja realizado um concurso definitivo.


Agentes de endemias de Cruzeiro do Sul participam de reunião com gestores públicos (Foto: Genival Moura/G1)
Os agentes de endemias de Cruzeiro do Sul (AC), em greve há 22 dias, estiveram reunidos nesta sexta-feira (19), com representantes do município e do Estado do Acre, na Câmara de Vereadores, para tratar sobre o futuro da categoria. Os profissionais, que prestam serviço de forma terceirizada, através de uma paraestatal, exigem a realização de um concurso efetivo que valorize a experiência de quem já trabalha no combate às doenças endêmicas da região, principalmente a malária.
De acordo com o representante do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Estado, Heleno Freitas, houve uma ordem da Justiça, para que os agentes fossem demitidos, uma vez que é vedada em lei a contratação provisória destes profissionais.
“Nós recebemos uma proposta 'indecente' do governo que prometeu fazer um novo concurso provisório, desde que a gente abrisse mão dos direitos trabalhistas que temos atualmente. Isso é o que motivou essa paralisação”, comenta.
A discussão envolveu ainda a municipalização do serviço de endemias. De acordo com a secretária municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul, Lucila Brunetta, o município não tem condições de administrar todo o serviço de endemias sem o repasse integral dos recursos pelo Ministério da Saúde.
“A gerência estadual passou para a gente que o gasto anual com as endemias em Cruzeiro do Sul é de R$ 3 milhões, e o repasse do Ministério da Saúde é de R$ 573 mil. Nós só teríamos condições de assumir, se recebêssemos todo o recurso para manter, nessa condição estamos dispostos a receber”, afirma a secretária.
Lucila lembra ainda que já havia um encaminhamento para o município assumir as endemias com os servidores remunerados pelo Estado, através de concurso provisório, quando os agentes não aceitaram e decidiram pela paralisação.
A gerente de endemias de Cruzeiro do Sul, Simone Daniel, que representou o estado na reunião, garantiu que o governo estará formando uma comissão para negociar com a prefeitura, a municipalização do serviço. Ela se mostrou preocupada com a greve dos agentes que há três semanas vem resultando em uma diminuição nas ações de combate à malária.
“Essa descontinuidade pode resultar em um acréscimo significativo de casos. No momento, estamos sem o trabalho de busca ativa, mas no instante em que as ações voltarem à normalidade, poderemos contabilizar sim, um acréscimo”, explica.
A vereadora Iria Matos (PCdoB) relatou que mora em uma área endêmica e um de seus filhos já contraiu malária oito vezes. “Uma vez eu corri dentro do hospital pedindo socorro para o meu filho, porque não sabia mais o que fazer. Nós estamos vendo aqui, um jogo de empurra, com uma questão gravíssima. Prefeitura ou Estado, seja quem for, precisa com urgência fazer um concurso e contratar funcionários de forma permanente, porque só esse título de provisório já deixa as pessoas desprestigiadas”, conclui.
G1 ACRE

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