domingo, 19 de janeiro de 2014

Prefeito Renildo num fogo cruzado em Olinda

 Noticias, Politica

Reeleito em 2012 com apoio de 21 partidos, gestão do comunista vem sendo contestada por movimentos na internet. Entidades fiscalizam o governo e cobram ações


          Integrantes do Acorda Olinda na orla do município: cobranças a Renildo / Clemilson Campos
           Integrantes do Acorda Olinda na orla do município: cobranças a Renildo

                 Clemilson Campos


O recado dado pelas urnas na reeleição do prefeito de Olinda, Renildo Calheiros (PCdoB), em 2012, com um percentual apertado de 50,45% (102.295 dos votos válidos) – inclusive “perdendo” para a soma dos votos nulos, brancos e abstenções (105.056 eleitores) – já era interpretado como um grande desgaste na sua gestão. E agora, no segundo mandato, com os problemas administrativos se multiplicando em larga escala, a avaliação do gestor não dá sinais de melhora.


A gestão do PCdoB em Olinda começou a apontar desgastes ainda no final do segundo mandato da ex-prefeita Luciana Santos, principal fiadora da condução de Renildo à Prefeitura, pela primeira vez, em 2008. Só que, nos últimos anos, tem crescido num ritmo intenso, ao ponto de movimentos sociais na internet defenderem o impeachment de Calheiros.

O rosário de queixas vai desde obras inacabadas (que já estão sendo alvo de um pedido de investigação do Ministério Público Federal e da tentativa de formação de uma CPI) até a ineficiência nos serviços básicos, em áreas como saúde, limpeza urbana e educação.

Somado a tudo isso, Renildo Calheiros ainda é acusado de estar constantemente ausente da cidade e ser omisso às demandas sociais.

Amparado por uma forte base de sustentação no governo, composta por 21 partidos, e com o apoio irrestrito de 15 do total de 17 vereadores, o comunista afirma que segue trabalhando feito “um bicho” para trazer recursos para a cidade. Já a oposição é comandada pelos vereadores Arlindo Siqueira (PSL) e Jorge Liberal (PSD). “Mas não é fácil fazer oposição numa Câmara dominada pelo governo”, lamenta Jorge Federal.

Contudo, dois dos mais conhecidos movimentos sociais da cidade, o Olindear Apartidários e o Acorda Olinda, têm se destacado no contraponto à administração municipal, através das redes sociais, embora haja versões de que sejam vinculados a políticos da oposição. Os grupos negam.

Os movimentos acusam Renildo, entre outras coisas, de “cooptar” lideranças comunitárias, oferecendo cargos na prefeitura para “calar o povo de Olinda e esconder os problemas”. “A cooptação tem sido tão constante que ele (Renildo) está acostumado a não ser questionado”, acusa Rujanyr Oliveira, um dos integrantes do Olindear.

“Já cobramos providências à OAB e ao Ministério Público, com a entrega de dossiês, inclusive com imagens que comprovam o descaso no município. Mas todos estão omissos”, lamenta o advogado José Ferreira Lima, do Acorda Olinda, que garante ter constatado a existência de 24 grandes obras inacabadas na cidade, feitas com recursos da União.

Segundo o Portal da Transparência do governo federal, foram enviados aproximadamente R$ 198,1 milhões ao município em 2013. Já prefeitura informa que arrecadou R$ 90 milhões, em receitas próprias, através de tributos como IPTU e ISS.

       

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