sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Instituto Butantan inicia testes de vacina contra a dengue em Cuiabá; veja como ser voluntário



Estadão Conteúdo

Voluntários de Cuiabá começaram, nesta sexta-feira (7), a testar a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A pesquisa é conduzida pelo Hospital Universitário Júlio Müller da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sob a responsabilidade do médico pesquisador Cor Jesus Fontes. A vacinação dos 1,2 mil voluntários será realizada no Centro de Avaliação e Pesquisa da Vacina contra a Dengue. Os testes envolverão 17 mil pessoas em 13 cidades nas cinco regiões do Brasil.


A expectativa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é que a vacina esteja pronta para ser autorizada em 2017. “Estamos com expectativa de no primeiro semestre do ano que vem ter concluído o trabalho e pedir autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para produção industrial. A fábrica está ficando pronta no fim do ano e é uma grande conquista da população ter uma vacina de graça contra os quatro tipos de vírus da dengue”, disse Alckmin, durante lançamento dos testes em Cuiabá, na manhã desta sexta-feira (7).

O governador paulista disse que Cuiabá foi escolhida pelo seu clima que favorece a proliferação do mosquito Aedes Aegypti. “A dengue atinge 40% do mundo, países tropicais e subtropicais, onde tem calor e água. Cuiabá é uma cidade muito quente, tem um risco grande de dengue”, observou.

O prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), falou da importância de a capital mato-grossense fazer parte da etapa de testes. “A dengue é uma das grandes epidemias do Brasil que tem afetado a saúde publica. Conseguimos pela primeira vez baixar o indicador que mede a infestação da dengue em Cuiabá, de 11 chegamos a 3 que é próximo da média nacional. E temos na vacina uma alternativa promissora para erradicar de vez a dengue”, disse.

Testes

Os testes já estão em andamento em Manaus (AM), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO), em três centros no Estado de São Paulo (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e Santa Casa de Misericórdia de São Paulo), em Fortaleza (CE), Aracaju (SE), além de Porto Alegre (RS) e Campo Grande (MS).

Os voluntários do estudo em Mato Grosso serão recrutados por agentes comunitários de saúde específicos da pesquisa. Os voluntários que atenderem aos pré-requisitos descritos acima devem aguardar a visita do agente comunitário ou entrar em contato pelos telefones: (65) 3056-1008, (65) 99930-7895 e (65) 99978.9255.

Podem participar do estudo pessoas saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos. Os participantes são acompanhados pela equipe médica por um período de cinco anos para verificar a eficácia da proteção oferecida pela vacina.

Vacina

A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. “Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas, como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença. A vacina deve proteger contra os quatro sorotipos da dengue com uma única dose”, explica o diretor do instituto, Jorge Kalil.

Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam comprovar a eficácia da vacina. Do total de voluntários, dois terços receberão a vacina e um terço receberá placebo, uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica nem o participante saberão quais voluntários receberam a vacina e quais receberam o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou protegido e quem tomou o placebo contraiu a doença.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, os dados disponíveis até agora das duas primeiras fases indicam que a vacina é segura, que induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e que é potencialmente eficaz.




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