terça-feira, 27 de maio de 2014

Em Juazeiro, na Bahia, laboratório produz mosquitos geneticamente modificados para combater a dengue

Funcionária separa as pupas dos machos e das fêmeas do mosquito Aedes aegypti Pesquisadora no laboratório da Moscamed, que fabrica um milhão de mosquitos transgênicos por semana

Separação das pupas dos machos e das fêmeas do mosquito Aedes aegypti Larvas de Aedes aegypti. Os mosquitos transgênicos foram responsáveis pela redução em até 93% no número de ovos selvagens
Pesquisadora no laboratório da empresa Moscamed Pesquisadora no laboratório da empresa Moscamed
O nome é esquisito: Biofábrica Moscamed. O que a instituição faz é ainda mais estranho: a cada semana, produz em laboratório e libera na natureza um milhão de mosquitos OX513A, uma variedade de Aedes aegypti geneticamente modificada. A função desses insetos – todos machos – é copular com as fêmeas que estão na natureza de forma a transferir para os filhotes o gene mortal que contêm, e que impede que eles cheguem à fase adulta.
Para que os mosquitos geneticamente modificados se desenvolvam, eles recebem em laboratório o antibiótico tetraciclina, que funciona como uma espécie de antídoto ao gene mortal que carregam. Quando atingem a fase adulta, são soltos em número até cem vezes superior ao da população selvagem. “A proporção é maior para aumentar a chance de cópula, que ocorre uma única vez. Como as novas pupas e larvas, portadoras do gene mortal, não encontram tetraciclina, não chegam à fase adulta”, explica a bióloga Michelle Cristine Pedrosa.
Os resultados do experimento são promissores: no bairro Itaberaba a redução do número de ovos do mosquito foi de 85% e no Mandacaru chegou a 93%. Um novo teste está sendo feito na cidade de Jacobina e a ideia é cobrir toda a área do município. Até o fim do ano a produção de mosquitos deve chegar a 4 milhões por semana.
Além de fabricar em laboratório mosquitos da dengue transgênicos, a Biofábrica Moscamed irá em breve testar uma tecnologia similar com as moscas-da-fruta, a maior dor-de-cabeça dos produtores da região.
O controle dos insetos nas plantações é diário. Se a quantidade capturada em um dia exceder o limite aceitável, a exportação de frutas para os Estados Unidos, por exemplo, pode ser suspensa por até seis meses. “Estimamos que cada real investido nas moscas transgênicas pode render doze para a região”, diz o pesquisador Aldo Malavasi, presidente da Moscamed.

Fonte: Veja.abril

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