terça-feira, 16 de agosto de 2016

Ministério lança guias para aumentar número de homens atendidos pelo SUS

De acordo com a pesquisa, uma das respostas mais comuns entre os homens (55%) é que não buscaram os serviços de saúde porque nunca precisaram
O resultado da busca tardia pelos serviços de saúde faz com que os homens vivam, em média, sete anos a menos que as mulheres  /Crédito – Imagem Ilustrativa
Quase um terço dos homens brasileiros não tem o hábito de frequentar serviços de saúde ou buscar auxílio na prevenção de doenças e na qualidade de vida. Pesquisa divulgada na última quinta-feira (11), pelo Ministério da Saúde mostra que as barreiras socioculturais interferem na prevenção às doenças e que, em muitos casos, os homens pensam que não ficam doentes ou têm medo de descobrir alguma alteração no organismo.

O levantamento foi feito por telefone em 2015 com mais de 6 mil homens cujas parceiras fizeram parto no Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo mostrou que, apesar de o pré-natal da parceira ser o momento em que o homem está mais próximo dos serviços de saúde, as consultas e os exames ainda são pouco aproveitados pelos profissionais. A maioria dos homens (80%) disse que acompanha a parceira nas consultas, mas 56% afirmaram que o atendimento teve foco apenas nas orientações à gestante.

A partir dos resultados do estudo, o ministério lançou nesta quinta-feira o Guia do Pré-Natal do Parceiro para Profissionais de Saúde e o Guia da Saúde do Homem para Agente Comunitário de Saúde. A primeira proposta consiste em aproveitar o momento em que o homem está mais próximo do sistema de saúde, acompanhando a parceira no pré-natal, para que ele adote hábitos saudáveis e faça exames preventivos. O segundo tenta sensibilizar agentes para levar os homens às unidades básicas de saúde e trabalhar a prevenção.

"É uma instrução que estamos dando às nossas equipes para tentar fazer com que os homens, que são arredios para esse questão de prevenção à saúde, possam ser captados pelo nosso sistema", disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros. "Há uma diferença extremamente significativa [na expectativa de vida de homens e mulheres] e é preciso que façamos um esforço para diminuí-la", acrescentou.

Entre os participantes, 80% tinham entre 20 e 39 anos, 67,3% afirmaram ter renda entre um e dois salários mínimos, quase metade (49%) relatou ser casado e apenas 36,9% completaram o ensino médio.
Realidade Local

Esses dados podem ser comprovados também no âmbito regional, basta uma rápida enquete com alguns homens para perceber que também na Cantu a realidade é de menos homens procurando os serviços de saúde. Tanto que diversos municípios tem adotado programas e até dias específicos para atendimento deste público, a exemplo de Laranjeiras do Sul e Quedas do Iguaçu.

O contador Elói Frederick, de Virmond, tem 47 anos e afirma que evita ir procurar ajuda média 'de varde'. Segundo ele, somente em casos de maior necessidade ou gravidade. No entanto garante que tem o hábito de fazer exames preventivos pelo menos uma vez por ano.

O jovem novalaranjeirense Eliton Costa, de 16 anos, também mantém os mesmo hábitos de saúde que se vê em homens mais velhos, ou seja, procura ajuda médica somente em casos mais extremos. Ele afirma que não tem precisado, pois a saúde está em ordem. Mas admite que talvez fosse melhor começar também a prevenir, com exames e acompanhamento.

“Não tomo remédio nem pra dor de cabeça”, afirma Mário de Almeida, de Cantagalo. Aos 48 anos, ele conta que até pouco tempo não conhecia nem o hospital, pois nunca havia ficado internado e teve que ser devido a um gripe muito forte. “Graças a Deus, até hoje tive uma boa saúde, mas já com a idade avançando já começo a pensar em guardar um dinheirinho para fazer um check-up geral. Não se pode facilitar”, diz.
Homens morrem mais cedo

De acordo com a pesquisa, uma das respostas mais comuns entre os homens (55%) é que não buscaram os serviços de saúde porque nunca precisaram. A falta de cuidado, segundo a pasta, esconde uma crescente consequência: eles morrem mais cedo que as mulheres e de doenças que poderiam ser prevenidas, como acidentes vasculares, infartos, câncer e doenças do aparelho digestivo.

O resultado da busca tardia pelos serviços de saúde faz com que os homens vivam, em média, sete anos a menos que as mulheres – a expectativa de vida deles é de 71 anos e das mulheres, 78. As causas que mais matam os homens são as externas (acidentes de trânsito, violência), seguidas de doenças do aparelho circulatório, neoplasias e aparelho digestivo.


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