terça-feira, 27 de setembro de 2016

Empresa desenvolve aplicativo para otimizar atendimento de agentes de saúde

Ferramenta ePHealth substitui a ficha de papel e gera relatórios precisos sobre condições da população atendida

Agentes de saúde com o ePHealth: agilidade para cadastrar e acessar dados sobre população atendida
Agentes de saúde com o ePHealth: agilidade para
 cadastrar e acessar dados sobre população atendida

Foto: Divulgação/ePHealth

SÃO PAULO - O aplicativo ePHealth, desenvolvido por uma startup de Santa Catarina, pretende simplificar o atendimento dos agentes municipais de saúde e gerar relatórios precisos sobre as condições da população. A ferramenta foi criada pelo empreendedor Pedro Pereira, em conjunto com o pai, Paulo Pereira, e com os desenvolvedores Tales Ruan e Pablo Tigozzo, como uma solução tecnológica focada na gestão da atenção primária em saúde.
Segundo o empreendedor, atualmente 270 mil agentes comunitários no País atendem a cerca de 120 milhões de brasileiros pelo programa federal Saúde da Família. Esses profissionais visitam moradores para acompanhar crianças e adultos em condições que exigem acompanhamento, como diabéticos e hipertensos, e cadastram os dados em fichas de papel, o que implica uma estrutura burocrática.  "Hoje se perde a oportunidade de criar novos leitos porque determinado local serve apenas para guardar papel", destaca Pedro.
Para enfrentar esse problema, o ePHealth oferece duas plataformas: o Módulo ACS, usado pelos agentes, e o Módulo Gestor, para o gerenciamento da equipe e coleta de informações.
Na primeira, o profissional digita o número do seu Cartão Nacional de Saúde e, após a autenticação dos dados, o uso do aplicativo é liberado. Por segurança, o agente só consegue acesso às informações cadastradas pela unidade e equipe às quais pertence.
No sistema de gestão, o enfermeiro responsável tem acesso aos dados gerados e pode controlar as atividades dos agentes comunitários. O acesso de cada prefeitura se restringe aos dados de sua jurisdição.
"É possível mapear a população, conhecê-la melhor e identificar de imediato o foco de uma doença. É um grande direcionador de demanda, além de ajudar no aumento de repasses do Ministério da Saúde, pois o aplicativo passa a ser um backup seguro das fichas", afirma.
Além de ser integrado aos sistemas do Ministério da Saúde, o aplicativo oferece funcionalidades como geolocalização, fotos, formulários personalizados, assinatura digital e funcionamento off-line.
O serviço já foi vendido para três prefeituras, diz o empreendedor. Como estratégia para tornar o aplicativo conhecido, eles decidiram liberar uma versão gratuita. Assim, a novidade chegou a 1.626 municípios em 100 dias e contabiliza atualmente 5 mil agentes cadastrados.
A princípio, a rentabilidade da startup virá apenas dos contratos de prestação de serviço fechados com prefeituras, mas futuramente a ideia é encontrar outros meios de monetização.
Pedro explica que um objetivo é, nos próximos anos, oferecer o aplicativo juntamente com o equipamento completo para leitura dos dados, em substituição ao tablet utilizado hoje - na maioria das vezes, vendido a custo de mercado.
A expectativa é que o novo produto interaja com outros equipamentos, como medidor de pressão, para que se torne cada vez mais automatizado e para que a tecnologia seja replicada no Brasil e no mundo.
Início
A primeira versão do aplicativo surgiu a partir da demanda de uma cidade catarinense. A prefeitura precisava de uma solução em saúde que ajudasse localmente. Foi então que os empreendedores perceberam que o problema não se restringia àquela comunidade.
Em 2011, a startup foi incubada pela ePartner It Solutins e recebeu um aporte de mais de R$ 3 milhões. Em 2015, a ePHealth tornou-se uma spin-off da primeira, ou seja, passou a ser uma empresa independente, com foco e especialização ainda maior em saúde.
A startup também passou por um período de incubação no MIDI Tecnológico, em Florianópolis, e foi recentemente selecionada no programa Inovativa Brasil 2016, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Os empreendedores dizem estar atualmente em conversas avançadas com dois investidores anjos e com dois fundos de capital semente (ou seed capital, em inglês) para captar R$ 3 milhões em dois anos.
Elaine Coutrin

Fonte: http://www.dci.com.br/


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