quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Cerca de 34% dos selecionados no Mais Médicos migraram de equipes da Saúde da Família


Prédio do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Prédio do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios
Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
BRASÍLIA - Dos 8.330 profissionais que já escolheram o município onde atuarão pelo Mais Médicos , na seleção aberta pelo governo para ocupar as vagas deixadas pelos cubanos, 2.844 (34,1%) estão deixando postos em equipes do programa Estratégia Saúde da Família. O levantamento foi apresentado pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde ( Conasems ) em reunião com o Ministério da Saúde e com gestores estaduais nesta quinta-feira.

A tendência de migração dos profissionais da Saúde da Família para o Mais Médicos, por conta de condições mais vantajosas do programa, foi revelada pelo GLOBO nesta quarta-feira . Na reunião na manhã de hoje, ao apresentar os dados consolidados, o presidente do Conasems, Mauro Junqueira, disse que o problema é ainda maior se considerados os médicos que estão saindo de outras áreas da rede pública, como hospitais e centros especializados.


Junqueira explicou que muitos profissionais se viram atraídos pelo salário, carga horária, possibilidade de ter pontuação extra nas seleções para residência, entre outras vantagens oferecidas pelo Mais Médicos. Os municípios, segundo ele, não têm condições financeiras de reter os médicos devido à diferença das regras do programa em relação a Estratégia Saúde da Família, também fomentado pelo governo federal. 

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Ele ressaltou que os municípios recebem cerca de R$ 10 mil do governo federal por equipe de Saúde da Família, tendo que aportar com recursos próprios entre o dobro e o triplo desse valor para contratar os demais profissionais — além do médico, é preciso ter no mínimo enfermeiro, técnico de enfermagem e agentes de saúde em cada grupo. Já pelo Mais Médicos, disse Junqueira, a prefeitura recebe R$ 14 mil por médico e mais R$ 4 mil para montar a equipe com os demais profissionais.

— Não temos condições de disputar com o programa (Mais Médicos). O programa foi interessante, e nós continuamos o aprovando, porque conseguiu fixar o médico nessas unidades (mais vulneráveis). Mas isso está causando outro problema na atenção básica — afirma Junqueira.

Ele deu alguns exemplos de estados com números elevados de profissionais saindo da Saúde da Família para ir atuar pelo Mais Médicos. O Ceará perdeu 273 profissionais da rede regular, dos quais 232 irão trabalhar em municípios do próprio estado e o restante vai para outras localidades. Em São Paulo, 170 médicos migraram, sendo que 144 ficarão em cidades paulistas e os demais deixarão o estado.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde, dos 8.330 profissionais que já escolheram o municípios onde vão pelo Mais Médicos, 940 validaram o ingresso no cargo com o gestor local e apenas 230 se apresentaram na cidade onde vão trabalhar. Para Junqueira, apesar do edital ter sido lançado há apenas uma semana, o número é ainda irrisório. Ele propôs ao governo federal a criação de uma sala de situação para acompanhar o desdobramento da seleção em curso.
Desistências

O Ministério da Saúde vem alardeando o sucesso do edital, com mais de 97% das 8,5 mil vagas preenchidas. Mas é crescente a preocupação dos gestores com as migrações de profissionais que já atendem pela rede pública e com desistências. Até agora, houve desistências em alguns poucos municípios mas devem crescer conforme se aproximar o prazo para apresentação dos profissionais, que termina em 14 de dezembro.

Em Santarém (PA), 15 das 17 vagas ofertadas foram preenchidas, mas dois profissionais desistiram, segundo a secretária municipal de Saúde, Dayane Lima. Em outro município paraense, Cametá, três médicos que se apresentaram acabaram desistindo após perceberem que era preciso percorrer 200 km de estrada de terra ou horas de barco da capital até o local, conta o secretário Charles Tocantins.


Fonte: https://oglobo.globo.com/


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